ESTRATÉGIA – Com arrecadação em queda, prefeito fala em reduzir salários

Servidores contratados da Capital podem sofrer corte no pagamento do próximo mês

A Prefeitura Municipal de Campo Grande está com os cofres vazios e ainda não sabe como pagará os salários dos seus 24 mil funcionários no próximo mês. O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), disse que a arrecadação da Capital está 70% menor e que para pagar os salários precisará reduzir os vencimentos dos servidores que são comissionados. 

Sobre a arrecadação municipal, Trad disse que no começo da redução das atividades econômicas, causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a gestão municipal teve uma queda de 80% nos recursos angariados. 

“Ontem deu uma melhorada de 10% [arrecadação], mas insuficiente para pagar pelo menos 40% da folha. O cofre de Campo Grande é igual o salário de vocês, Campo Grande é assalariada, entram todos os mesmos impostos todo mês. Não é só Campo Grande, é o mundo todo. Município, pela Constituição ele é o menor da base, o município é um bebê de colo e a mãe é a União, então se a mãe abandonar o bebê ele vai morrer”, disse Trad durante agenda cumprida na manhã desta quinta-feira (9).

O prefeito ainda disse que a solução poderia vir com a votação do Plano Mansueto, que caso fosse aprovado daria a opção para a prefeitura emprestar capital. “O que acontece, o texto que estava em votação, estava para socorrer a União, estados, municípios e o Distrito Federal, mas o Rodrigo Maia suprimiu municípios. Nós movimentamos os deputados, e o Fábio [Trad] está à frente disso, ele fez uma emenda para retornar os municípios, porque se não vai morrer, vai ter que reduzir salários”, disse Marcos Trad.

Prefeito diz que estuda alternativas para arcar com os compromissos – Valdenir Rezende/Correio do Estado

DEMISSÕES

Assim como empresas privadas alguns municípios e estados precisaram criar alternativas para reduzir o impacto das contas, uma das soluções foi a demissão de funcionários públicos contratados. O prefeito de Campo Grande afirmou que não demitirá ninguém.

“Não vou cortar a remuneração de ninguém, mas posso sentar com eles para discutir um valor menor para que todos tenham um pouco e ninguém fique sem nada. Se aprovar esse empréstimo já me dá um fôlego de quatro meses para frente, que é o tempo que eles falam que pode impactar”, reiterou Trad.

Trad afirmou ainda que somente os funcionários da educação custam R$ 7 milhões para os cofres municipais mensalmente. “Tem município do interior que estão mandando todos os convocados da educação embora. Só nossos convocados  aqui impactam cerca de R$ 7 milhões na folha por mês, só da educação. Eu não vou fazer igual esses municípios e mandar embora, mas dependendo do que Brasília decidir, eu vou ter que sentar com eles e ver uma redução na hora aula”, contextualizou o prefeito.

Constitucionalmente as prefeituras não podem reduzir o salário dos funcionários concursados, só dos contratados. “Posso não mexer talvez na remuneração, mas posso, com a permissão do Supremo, rever gratificações, planos de trabalho, uma série de outros requisitos que eleva o valor final do recebimento do funcionário público”, concluiu o prefeito.

Fonte: Correio do Estado

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