Foram presos na Buraco Sem Fim, do Gaeco, servidores públicos, ex-servidores e empresários
O advogado Werther Sibut de Araujo, responsável pela defesa de Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura e atual ex-diretor-presidente da Agesul, preso na Operação Buraco Sem Fim, do Gaeco e Gecoc, emitiu nota nesta quarta-feira, 13 de maio, na qual afirma que a prisão é desarrazoada e reclama da falta de acesso aos autos do processo.
“O mais grave de momento é que mesmo após mais de 24h da deflagração da operação e das prisões, até o presente momento não foi fornecido acesso aos autos às defesas. Isso impede o exercício da ampla defesa, gera risco de manutenção de prisões injustas e castra qualquer possibilidade de questionamento judicial da decisão que decretou a prisão”, afirma.
A Buraco Sem Fim foi deflagrada na terça-feira, dia 12, após meses de investigações em contratos do setor de obras da prefeitura de Campo Grande (MS). Segundo o Ministério Público, a investigação aponta a existência de um esquema criminoso envolvendo fraudes em contratos de tapa-buraco, com manipulação de medições e pagamentos por serviços supostamente não executados.
Entre os presos estão dois empresários e cinco servidores públicos ou ex-servidores ligados à Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) de Campo Grande, entre os quais Rudi Fiorese.
Confira a lista:
- Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil e empreiteiro;
- Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, produtor rural e dono da Construtora Rial;
- Edivaldo Aquino Pereira, chefe do serviço de tapa-buraco da Sisep;
- Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, ex-servidor da Sisep;
- Fernando de Souza Oliveira, servidor da Sisep;
- Mehdi Talayeh, servidor da Sisep;
- Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura e atual ex-diretor-presidente da Agesul.
Ainda de acordo com o Ministério Público, o grupo é suspeito de desviar recursos públicos e beneficiar empresas contratadas pelo município. O levantamento das autoridades indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada recebeu contratos e aditivos que somam mais de R$ 113,7 milhões.
Além dos sete mandados de prisão, a ação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão. Durante as diligências, foram apreendidos ao menos R$ 429 mil em dinheiro vivo em endereços ligados aos investigados.

https://www.instagram.com/noticidadebrasil/Nesta quarta-feira, 13, os sete presos passaram por audiência de custódia, um procedimento de praxe para verificar se os direitos dos investigados foram devidamente preservados. Até a publicação deste conteúdo, todos continuavam presos.
Confira abaixo a nota do advogado Werther Sibut de Araujo na íntegra:
“Diante da repercussão acerca da “Operação Buraco Sem Fim”, deflagrada em 12.05.2026, a defesa de Rudi Fiorese esclarece que se trata de uma prisão preventiva.
Importa mencionar, de início, que a prisão é desarrazoada e não se coaduna com a história construída por Rudi, e parte do nosso papel é demonstrar sua conduta ilibada.
No entanto, o mais grave de momento é que mesmo após mais de 24h da deflagração da operação e das prisões, até o presente momento não foi fornecido acesso aos autos às defesas. Isso impede o exercício da ampla defesa, gera risco de manutenção de prisões injustas e castra qualquer possibilidade de questionamento judicial da decisão que decretou a prisão. Objeções que aleguem problemas de sistemas operacionais não devem prevalecer às garantias constitucionais. A vedação de acesso aos autos, por si só, já imporia a imediata liberdade dos investigados.
De todo modo, reafirmamos nossa confiança na justiça e já antecipamos que a liberdade será perseguida pelos meios adequados.
Werther Sibut de Araujo, pela defesa de Rudi Fiorese.”
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