Investigações da PF mostram que essas organizações ligadas ao tráfico de drogas também comandam a venda do produto
Historicamente ligadas ao tráfico de drogas, as facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), entraram também para o ramo do contrabando de cigarros do Paraguai. Isso é o que já apontam algumas investigações da Polícia Federal (PF).
De acordo com investigações da PF, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai o negócio, que antes era comandado apenas por quadrilhas especializadas no contrabando, agora também tem facções criminosas por trás da atividade.
“Existem informações muito consistentes de que facções criminosas já estão controlando esta atividade criminosa na fronteira”, afirmou a Polícia Federal ao Correio do Estado.
Entre os motivos para que esta atividade tenha entrado no radar das facções criminosas estaria o alto valor que o contrabando traz para os grupos.
“O contrabando de cigarros em nosso estado, e por conseguinte em todo o País, tem se tornado uma alternativa muito rentável e com menor risco de prisão do que o tráfico de drogas, por este motivo, muitos criminosos têm se dedicado a este tipo de crime, pois a pena é bem mais branda e a lucratividade é bastante alta”, explicou a PF à reportagem.
Mato Grosso do Sul é um estado estratégico para este tipo de atividade. Com grande fronteira com o Paraguai, principal produtor de cigarros ilegais, as quadrilhas usam essa fragilidade na fronteira para entrar para o Brasil com o produto contrabandeado.
CIGARROS
A distribuição de cigarros na fronteira de Mato Grosso do Sul, porém, começou muito antes das facções criminosas se estabelecerem no Estado e muitas são especializadas apenas neste tipo de atividade criminosa.
Matéria publicada pelo Correio do Estado ontem mostrou que um grupo descoberto pela Polícia Federal que atuava no contrabando de cigarros na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai tinha uma grande estrutura e levava o produto para o interior de São Paulo.
O grupo contava até com uma frota de veículos, que era utilizada para levar os produtos do país vizinho para Dourados. A investigação aponta que a quadrilha atuava há seis anos, pelo menos, o que indica que receberam cerca de R$ 600 milhões neste período.
De acordo com as investigações da PF, o grupo costumava utilizar carros de porte médio para transportar as cargas de cigarro. Eles saíam sempre em comboio de mais de 10 veículos de Pedro Juan Caballero com destino a Dourados.
O cigarro tinha como destino principalmente a região de Presidente Prudente (SP), informou a PF.
A investigação começou após uma apreensão feita pela Polícia Militar, em outubro deste ano, durante um bloqueio policial, na região de fronteira. Na abordagem, segundo informou a Polícia Federal, um comboio formados por 12 veículos tentou furar o bloqueio. Desses 12 carros, três foram apreendidos e o restante conseguiu fugir.
Nos veículos, do modelo Fiorino, a polícia encontrou mais de 2 mil pacotes de cigarros em cada um deles, ou seja, se os 12 veículos fossem apreendidos, seriam 24 mil pacotes.
A PF estima que o grupo seja formado por, pelo menos, 20 integrantes, que cuidavam da logística de transporte da carga do Paraguai até o interior de São Paulo. O grupo atua, pelo menos, desde 2019.
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