Foram cumpridas 90 ordens judiciais, com a mobilização de mais de 200 policiais e 40 servidores da Receita Federal em cinco cidades brasileiras
Na manhã desta quarta-feira (18), a Receita Federal e a Polícia Federal, por intermédio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul (Delefaz/MS), deflagram a Operação Iscariotes, com o objetivo de reprimir a atuação de organização criminosa investigada pela prática de crimes de contrabando, descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo, e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

A operação decorre de investigação de longo curso, que revelou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado, desacompanhados de documentação fiscal e sem a devida regularização perante os órgãos de controle aduaneiro.
Após o ingresso irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande-MS e em outras unidades da Federação, especialmente no Estado de Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas.

As apurações demonstraram que o grupo utilizava veículos adaptados com compartimentos ocultos para viabilizar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas. Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores auferidos com a atividade ilegal.

Segundo as investigações, a organização criminosa contava ainda com a participação de agentes vinculados a agentes de segurança pública, aposentados e da ativa. Eles atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais, até o transporte físico das mercadorias com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo.

No curso da investigação, foram realizados diversos flagrantes, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais. Após representação da autoridade policial, com manifestação favorável do Ministério Público Federal, a Justiça Federal expediu as seguintes medidas cautelares: 31 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva, um mandado de monitoração eletrônica, dois afastamentos de funções públicas e seis suspensões de porte/posse de arma de fogo. Também houve a indisponibilidade de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas (40 milhões de reais), incluindo sequestro de ao menos 10 imóveis, sequestro e apreensão de ao menos 12 veículos e suspensão das atividades de seis pessoas jurídicas.

Ao todo, foram cumpridas cerca de 90 ordens judiciais, com a mobilização de mais de 200 policiais e 40 servidores da Receita Federal, nas cidades de Campo Grande-MS, Dourados-MS, Belo Horizonte-MG, Vespasiano-MG e Montes Claros-MG.
A operação contou com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul e do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros eventuais envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.
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