Ônibus continuam na garagem e cerca de 100 mil usuários sem transporte pelo 4º dia consecutivo na Capital Campo Grande
O governador Eduardo Riedel (PP) vai antecipar o repasse de R$ 3,367 milhões, de janeiro para esta semana, para o Consórcio Guaicurus quitar os salários dos motoristas de ônibus e encerrar a greve no transporte coletivo de Campo Grande. A paralisação entra no 4º dia e já é a 2ª mais longa da história.
O pedido para antecipar o pagamento foi feito ontem à noite pela prefeita Adriane Lopes (PP). No café da manhã com a imprensa na manhã desta quinta-feira (18), o governador informou que concordou com a antecipação e o pagamento só depende da formalização do pedido por parte da chefe do Poder Executivo.
Os 1,1 mil trabalhadores do Consórcio Guaicurus cruzaram os braços na segunda-feira porque o Consórcio Guaicurus atrasou o pagamento da folha salarial de novembro. Houve depósito de 50% na sexta-feira, mas a empresa antecipou que não tem dinheiro para quitar o restante nem o vale e a segunda parcela do 13º, que vencem no sábado.
O Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo, com aval de Adriane, tentou obrigar os trabalhadores a continuarem trabalhando mesmo sem salários. O vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, desembargador Cezar Palumbo Fernandes, fixou multa de R$ 20 mil por dia de paralisação no domingo, para evitar a greve.
Na segunda-feira, para forçar o retorno ao trabalho, o desembargador, que ganha R$ 62,6 mil por mês, elevou a multa para R$ 100 mil. O Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande manteve a paralisação.
O magistrado não buscou garantir o pagamento dos salários para acabar com a greve, mas elevou a multa para R$ 200 mil por dia. Adriane também apareceu na terça-feira para condenar a greve e defini-la como “abusiva”. No entanto, a prefeita não buscou meios para garantir os salários dos trabalhadores.
Sem alternativa e a resistência dos funcionários, a prefeita começou a buscar solução para o atraso nos salários e pediu socorro ao Governo do Estado. Pelo plano de trabalho assinado em junho deste ano, ainda estão previstos dois repasses de R$ 3,367 milhões, uma parcela em janeiro e outra em fevereiro. Riedel concordou em antecipar a de janeiro.
Essa é uma das medidas para garantir o pagamento dos salários, mas vai depender de que como o município vai administrar o dinheiro.
A greve desta semana já é a 2ª maior da história. A primeira é de 1989, que durou sete dias, segundo o Campo Grande News. A última greve, que durou dois dias e meio, ocorreu em 1994, na gestão de Juvêncio César da Fonseca (MDB). Na época, os ônibus ficaram estacionados no quadrilátero central – ruas Rui Barbosa, 26 de Agosto, Calógeras e Maracaju – e cerca de 300 mil passageiros ficaram a pé.
Além do número maior de passageiros na época, a alternativa era restrita a táxi. Atualmente, a população tem o transporte por aplicativo, os serviços são mais descentralizados, os estudantes estão de férias e o número de passageiros que dependem do transporte coletivo (100 mil usuários) representa menos de 10% da população total da Capital.

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